segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Internet do futuro
  Consórcio de universidades brasileiras e europeias começa a testar, no próximo ano, a chamada rede definida por software (SDN). Entre outras vantagens, o sistema transfere o comando da web %u2014 hoje nos roteadores %u2014 para a nuvem, garantindo acesso mais rápido e barato

No primeiro semestre de 2013, mais de 10 universidades e instituições de pesquisa no Brasil e cerca de seis centros da Europa se conectarão a uma rede experimental que abrirá as portas para a internet do futuro. O projeto Fibre (Future Internet Testbeds Experimentation between Brazil and Europe) é um consórcio de cooperação bilateral em que pesquisadores europeus e brasileiros poderão dividir experiências para implementar e validar o revolucionário conceito de rede definida por software (SDN, pela sigla em inglês).

Pelo Fibre, pesquisadores de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpQD) terão a oportunidade de desenvolver softwares de rede próprios, que podem ser, inclusive, livres (com códigos abertos), em um ambiente de teste repartido. Ou seja, o que uma instituição fizer, não necessariamente vai influenciar na rede em conjunto, já que haverá como reparti-la. Além disso, será possivel também criar uma rede na nuvem, por meio de máquinas virtuais em que o software rode em apenas um computador, mas que os fluxos de dados sejam transmitidos a vários outros. Os testes começam no começo do ano que vem e prometem mudar os paradigmas da internet.

Para tanto, uma das principais tecnologias envolvidas é o OpenFlow, criado em 2008 pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Entender os avanços trazidos por essa interface exige antes uma melhor compreensão de como a web é operada atualmente. Para montar uma rede de internet hoje, é preciso utilizar equipamentos como roteadores e switches. Os primeiros são aparelhos que transmitem a rede de internet e possibilitam a comunicação entre computadores distantes entre si. O switch, por sua vez, foi criado para que um único sinal de internet possa ser dividido por mais computadores de uma LAN (local area network). Para que a internet de um escritório seja dividida entre os vários computadores do local, por exemplo, basta colocar o cabo do modem no switch e, a partir do aparelho, levar vários cabos aos computadores da empresa.

“Os switches e roteadores são caixas-pretas. As pessoas não têm a mínima ideia do que têm dentro. Elas simplesmente os usam. Esses equipamentos, no entanto, são divididos em duas partes. Uma é a parte da inteligência, que toma as decisões sobre o que fazer com os dados que chegam ao aparelho (o software). A outra segue essas decisões e faz com que o tráfego de dados que chega por um lado saia pelo outro (hardware)”, explica Marcos Rogério Salvador, gerente de Evolução de Tecnologia de Redes Convergentes do CPqD, instituição responsável por implantar a tecnologia OpenFlow no Fibre.

Um dos grandes problemas desse sistema é que somente o próprio fabricante tem condições de alterar a inteligência que está no aparelho e, dessa forma, a tecnologia fica concentrada na mão de poucas empresas. O resultado: menos competição, preços mais altos e poucas aplicações de rede. “Quando você compra um equipamento desses, você tem que se adequar ao que ele te oferece”, critica Salvador. O ponto principal do OpenFlow é justamente reverter essa limitação e permitir que o software que define a rede seja retirado dos roteadores e switches para começar a ser gerenciado fora desses equipamentos, nos próprios computadores.

Soluções
“Atualmente, quando você compra um roteador, ele já vem com o software embutido. Você não pode mexer nele, ele foi dado pela empresa que vendeu o equipamento. O OpenFlow permite que as pessoas façam um programa de rede separado da caixa”, explica Cesar Marcondes, professor do Departamento de Computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Coordenador regional do projeto Fibre, Marcondes esclarece que uma das grandes vantagens é possibilitar que o próprio usuário possa programar sua rede de acordo com demandas específicas.

Ou seja, na era da rede por software, o usuário continua comprando equipamentos como o roteador, mas eles não vêm com a inteligência embutida. Estima-se que, com isso, o preço desses equipamentos caia cerca de 80%. “O Google, em março deste ano, disse que está rodando OpenFlow na rede de data centers dela. Ela tem data centers espalhados pelo mundo todo. Isso significa que ela pode programar a rede dela para que certas conexões sejam encaminhadas para local em vez de outro e programar melhor seus recursos”, exemplifica.

A rede Fibre, nesse sentido, tem suporte a OpenFlow, mas também a outros mecanismos que permitirão aos pesquisadores experimentarem soluções novas para a internet do futuro. Marcondes acrescenta que por isso, em cada país, existem projetos de pesquisa que desenvolvem uma rede de experimentação, permitindo ao pesquisador testar novas soluções sem prejudicar a conexão dos usuários. “A internet é um bem tão valioso que ninguém quer deixar de fazer testes com ela. Os usuários dependem muito dela, estão sempre conectados, por isso a rede não pode ficar caindo e falhando”, explica.
Fonte: Correio Braziliense - Brasília/DF
Harvard on line e de graça 
  O professor Walter Sinnott-Armstrong, da Universidade Duke (EUA), fez uma aposta: se um terço dos alunos que começaram a assistir a suas aulas na semana passada chegar ao fim do curso, ele vai raspar e doar o cabelo a uma instituição que faz perucas para pessoas com câncer.

Baixa autoestima? Não. Apenas realismo: o curso do professor tem 166.872 estudantes. As aulas são dadas no site Coursera (coursera.org), que reúne 207 disciplinas de 33 universidades dos EUA, da Europa, da Ásia e do Oriente Médio -tudo de graça.

Onde quer que esteja, o aluno precisa só de um computador e de conexão banda larga. Depois de se cadastrar, assiste às aulas em vídeo, lê textos e resolve provas. No fim, recebe um certificado.

O Coursera é a maior, mas não a única iniciativa do tipo. Das dez melhores universidades do mundo segundo o ranking Times Higher Education, todas têm conteúdo gratuito on-line. Delas, seis têm disciplinas inteiras.

O site edX.org reúne a Universidade Harvard, o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), a Universidade da Califórnia em Berkeley e a Universidade do Texas com esse mesmo propósito.

A ideia de boa educação superior ao alcance de todos ganhou corpo em 2012 com o conceito de Mooc, sigla que em inglês significa "cursos abertos on-line em massa".

Também entra nesse grupo o iTunes U, iniciativa da Apple que permite baixar, no iTunes, palestras e seminários universitários, de graça.

Independência

"A principal diferença entre os meus alunos da universidade e os on-line é a independência", diz Sinnott-Armstrong à Folha, por telefone. "Como minha disciplina na web possui um fórum, sinto que posso sentar e apenas vê-los se ajudarem."

Estudioso da epistemologia, ramo da filosofia que investiga a origem e a natureza do conhecimento, ele oferece a disciplina Pense Novamente: Como Raciocinar e Argumentar, a maior em número de alunos no Coursera, lançado em abril.

As universidades americanas não foram as únicas a abrir seus cursos na internet. Escolher aulas oferecidas por instituições de outras partes do mundo é, também, uma forma de ter contato com as respectivas culturas.

A Escola Federal Politécnica de Lausanne (França), presente no Coursera, oferece uma disciplina completa no idioma daquele país.

Outro exemplo é a disciplina Uma Nova História para uma Nova China, oferecida em inglês pela Universidade de Hong Kong.

No iTunes U, cinco instituições lusas, incluindo a renomada Universidade de Coimbra, têm vídeos de palestras e seminários em português.

Exatas X Humanas

Nas maiores plataformas de Mooc que existem atualmente, há prevalência de cursos das carreiras de exatas. Vários fatores podem explicar esse fenômeno.

"Estudantes de exatas têm naturalmente mais contato com línguas estrangeiras", diz Pollyana Mustaro, doutora em educação pela USP. Com aulas em inglês, estar acostumado ao idioma é essencial, argumenta.

Já Sinnott-Armstrong especula três motivos para haver mais cursos de exatas.

Primeiro, alunos de áreas como ciência da computação estão mais acostumados ao uso de tecnologia. Segundo, é mais fácil aplicar provas on-line com respostas mensuráveis que pedir textos ao aluno, situação comum em humanas.

Terceiro, vários cursos de humanas se baseiam em debates em sala de aula.

Brasileiros são muito presentes nos cursos

De São Paulo

Os alunos do professor Claiton Martins-Ferreira, 44, na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) aprendem redação acadêmica com uma professora da Universidade Stanford. Após assistir às aulas da disciplina Escrevendo em Ciências no Coursera, ele passou a indicá-la a seus estudantes.

"Escrever mal é um problema recorrente, principalmente entre alunos de graduação, por isso indico o curso", diz Martins-Ferreira. Pós-doutorando em biologia, ele fez várias disciplinas relacionadas à área. "É uma oportunidade para se atualizar."

Segundo os dados mais recentes, divulgados em agosto, o Brasil responde por 5,9% do total de alunos no Coursera, atrás dos EUA (38,5%) e seguido pela Índia (5,2%) e pela China (4,1%). Apesar de o Coursera ser a única plataforma a divulgar suas estatísticas, não é difícil encontrar brasileiros em outros sites.

Para Pollyana Mustaro, doutora em educação pela USP, a grande presença reflete a relação que os brasileiros têm com redes sociais. "O país está sempre entre os que mais usam redes sociais."

Após passar uma temporada no Brasil, na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e na PUC-Rio, o professor Walter Sinnott-Armstrong, da Universidade Duke, acredita que a procura de brasileiros não se deve a uma eventual deficiência das universidades daqui. "Ter aulas em inglês faz diferença", diz. Assim, os alunos treinam o idioma enquanto aprendem.

Sem diploma

O empresário Felipe Benites Cabral, 30, assistiu às aulas de Introdução à Psicologia no site da Universidade Yale (oyc.yale.edu).

Sem ter completado um curso superior -largou ciências sociais e administração-, Cabral não se preocupa em conseguir os diplomas. "Não é meu foco", afirma. "Prefiro ficar com o conteúdo que com o certificado."

A situação é comum entre os estudantes daqui. Recém-formado em economia pelo Insper, Gustavo Amarante, 23, também não quis os certificados dos cursos a que assistiu em Yale.

Enquanto se preparava para os exames de mestrado no Brasil -em janeiro, vai para a PUC-Rio-, aproveitou para estudar teoria dos jogos e economia financeira. Assistiu aos cursos completos. "Para entender alguns termos técnicos, é preciso ver as aulas anteriores", explica.

Além da qualidade, outro motivo que leva alunos brasileiros a fazer cursos grátis on-line é a exclusividade.

Estudante do primeiro ano de marketing no Senac, a paulistana Carolina Kadix, 33, trabalha com webdesign há 12 anos. Nesse tempo, entretanto, não encontrou um curso como o que fez por Stanford, de interação entre computadores e humanos.

"Precisava aprimorar meus conhecimentos, mas não podia ir para outra cidade", diz ela. "No Brasil, só há algo equivalente em Curitiba." (Alexandre Aragão)

USP e Unesp são pioneiras em portais similares no país

De São Paulo

Duas iniciativas de universidades paulistas foram as primeiras a oferecer cursos nos mesmos moldes que as de universidades estrangeiras. A única diferença diz respeito à emissão de diplomas.

O primeiro desses projetos foi o Unesp Aberta (barnard.ead.unesp.br), lançado em junho. Nele, é possível assistir a cerca de 300 vídeos on-line, além de acessar materiais escritos e imagens de diversas disciplinas completas oferecidas pela universidade.

O site, elaborado pelo NEaD (Núcleo de Educação a Distância) da instituição, divide os conteúdos por área do conhecimento -humanas, exatas e biológicas.

O outro projeto que se destaca, lançado no final de agosto, é o portal de vídeos da USP (eaulas.usp.br), que também possui algumas disciplinas completas. Assim como a iniciativa da Unesp, oferece busca por palavras-chave e divisão de acordo com áreas do conhecimento. Também é possível procurar pelo nome do professor.

A ideia é que, no ano que vem, o sistema seja integrado à base de dados de buscas das bibliotecas da universidade, fazendo com que os conteúdos mostrados sejam tanto físicos -livros, periódicos etc.- como digitais.

Atualmente, no portal da USP, a área de humanas, principalmente pedagogia, é a que tem mais vídeos disponíveis: são 445. Em seguida, vêm exatas, com 385, e biológicas, com 174.

A aula mais popular é a de Introdução às Derivadas e Integrais, do professor Vanderlei Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos.

A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) também possui um site de educação a distância aberto a todos (tvled.egc.ufsc.br). No entanto, a iniciativa não oferece disciplinas inteiras e nem tem busca por assunto. (AA)

Top 10, de graça
Cursos on-line das melhores universidades do ranking Times Higher Education (2012-13)

Caltech
Oferece três disciplinas, entre elas Princípios de Economia para Cientistas
coursera.org

Universidade Stanford
Presente em quatro plataformas, reúne seus 22 cursos em um site próprio
online.stanford.edu/courses

Universidade de Oxford
Tem cerca de 2.000 arquivos, entre áudio e vídeo, disponíveis no app da Apple
iTunes U

Universidade Harvard
Um curso de ciência da computação e outro sobre pesquisa na área médica
edX.org

Instituto de Tecnologia de Massachusetts
Primeira instituição do edX, tem três cursos, todos de carreiras de exatas
edX.org

Universidade Princeton
Ao todo, oferece nove disciplinas completas, como Introdução à Sociologia
coursera.org

Universidade de Cambridge
Possui 50 palestras e seminários on-line, destaque para os da área de direito
iTunes U

Imperial College
Vídeos de sete carreiras, incluindo engenharia, matemática e administração
iTunes U

Universidade da Califórnia em Berkeley
Possui quatro cursos on-line: três sobre tópicos de computação e um sobre robótica
edX.org

Universidade de Chicago
Boa variedade nas áreas de humanas, principalmente filosofia e ciência política
iTunes U

*Todas as universidades da lista têm conteúdo no iTunes U, plataforma da Apple com vídeos de seminários e palestras
Fonte: Top Vitrine - Campo Grande/MS

domingo, 18 de novembro de 2012

Redes acadêmicas brasileiras se preparam para a internet do futuro

  – No primeiro semestre de 2013, algumas universidades e instituições de pesquisa do Estado de São Paulo começarão a se conectar a uma rede experimental na qual serão testadas aplicações de novas tecnologias que poderão definir a internet do futuro.

Em âmbito nacional, outras dez instituições brasileiras, incluindo três do Estado de São Paulo – Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpQD) –, também serão integradas a outra rede experimental que começará a ser criada no início de 2013 com o mesmo objetivo da rede paulista.

As duas redes experimentais acadêmicas brasileiras se somarão a algumas outras estabelecidas nos últimos anos em outros países com o objetivo de preparar universidades e instituições de pesquisa a uma mudança de paradigma na tecnologia de internet, prevista para ocorrer já nos próximos anos.

Baseada atualmente na troca (chaveamento) de pacotes de dados, a tecnologia da internet deverá migrar para o chaveamento de fluxos – conjuntos de pacotes de dados que têm alguma característica em comum.

Em função dessa mudança, as redes deixarão de ser definidas pelos equipamentos de rede (como os switches e roteadores) e pelos softwares contidos neles, como ocorre hoje, e passarão a ser gerenciadas por aplicativos externos que determinarão o comportamento dos fluxos de dados.

Em 2008, um grupo de pesquisadores de redes das universidades Stanford e da Califórnia em Berkeley, ambas nos Estados Unidos, publicou um artigo descrevendo a implementação de um novo protocolo para gerenciamento de tráfego. Chamada “OpenFlow”, a tecnologia abriu as portas para que as “redes definidas por software” se tornem realidade.

O protocolo permite transferir o controle do tráfego de dados em uma rede, antes realizado por switches e roteadores, para servidores externos. Com isso, se abriu a possibilidade de se desenvolver softwares de controle de tráfego de redes, com código aberto e executados por esses servidores, conforme começaram a fazer algumas startups criadas por pesquisadores da própria Universidade de Stanford e por outras instituições de pesquisa em todo o mundo.

Além disso, muitas empresas de tecnologia de computação começaram a fabricar e a disponibilizar switches e roteadores com OpenFlow para serem testados inicialmente em redes experimentais, dado que seria impossível interromper a word wide web para avaliar a nova tecnologia.

“A internet é uma commodity fundamental na vida das pessoas, e não se pode parar o funcionamento dela para experimentar coisas novas. Por isso, estão sendo desenvolvidos projetos de redes experimentais para suportar a internet do futuro”, disse Cesar Marcondes, professor do Departamento de Computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), à Agência FAPESP.

De acordo com Marcondes, algumas empresas de tecnologia, como o Google, já desenvolveram códigos e estão operando suas redes de data centers com OpenFlow.
Atentas a esse movimento, universidades e instituições de pesquisa nos Estados Unidos e na Europa, que foram o “berço” da internet, também já montaram redes nacionais para possibilitar que seus pesquisadores possam fazer experimentos com a tecnologia OpenFlow.

Seguindo o mesmo caminho, a Rede Acadêmica do Estado de São Paulo (ANSP), financiada pela FAPESP, também pretende começar a realizar no primeiro semestre de 2013 um teste inicial de implementação de OpenFlow em uma rede experimental.

O teste na rede experimental paulista terá a participação de algumas das mais de 50 universidades e instituições de pesquisa filiadas à ANSP. Entre elas estão a USP, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a UFSCar e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Já em escala nacional, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) – que interconecta as universidades e instituições de pesquisa brasileiras e provê o acesso internacional à internet – também coordena a criação de uma rede experimental em parceria com a União Europeia para realização de experimentos de novas aplicações baseadas em OpenFlow. Denominado Fibre, o projeto é realizado com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do 7th Framework Programme (FP7) da União Europeia.

“As universidades e instituições de pesquisa brasileiras têm que se preparar agora, porque não se sabe quando ocorrerá essa transição de paradigma na tecnologia da internet e quanto antes elas estiverem preparadas será melhor”, disse Luis Fernandez Lopez, coordenador geral da ANSP.

“Seria terrível se os sistemas de tecnologia da informação criados nas universidades e instituições de pesquisa do país para dar suporte aos seus processos educacionais e de pesquisa parassem em um determinado momento porque não acompanharam a evolução das pesquisas em TI”, avaliou Lopez.

Inovações nas redes acadêmicas

Segundo especialistas na área, as redes experimentais brasileiras possibilitarão aos pesquisadores em rede do país desenvolver e testar diversas soluções locais baseadas em OpenFlow que, eventualmente, poderão ser implementadas nas redes acadêmicas para suportar tanto o atual tráfego legado de dados entre elas como também novas funcionalidades.

Como se terá acesso à interface de programação dos switches com protocolo OpenFlow que compõem as redes experimentais, é possível desenvolver e implantar diversas soluções no servidor que os controla. Entre elas estão inovações voltadas para racionalizar a utilização das redes, tornando-as mais seguras e menos sujeitas a falhas.

Hoje, normalmente as redes utilizam os mesmos roteadores – que são equipamentos sofisticados e caros, que funcionam como servidores – tanto nos pontos por onde passa muito tráfego como naqueles onde o tráfego é muito pequeno.

Por outro lado, o OpenFlow permite usar nos pontos de pouco tráfego switches mais simples, que consomem menos energia e com as mesmas funcionalidades dos outros dispositivos por serem controlados por um mesmo servidor externo.

Além disso, soluções de computação em nuvem – caracterizadas pelo compartilhamento, por meio da rede, de computadores e servidores instalados em um data center –, cujo gerenciamento é muito difícil e complicado com a tecnologia utilizada hoje, poderiam ser gerenciadas por múltiplos usuários, de maneira bem mais simples, usando OpenFlow.

“O OpenFlow abre a possibilidade de se programar uma rede, em vez de apenas configurá-la, que é o que só se consegue fazer hoje. Em função disso, deverá surgir uma série de empresas que desenvolvem software para redes, a exemplo do que já está ocorrendo nos Estados Unidos”, estimou Marcondes, que participa do projeto Fibre.

Mais oportunidades para os pesquisadores brasileiros
Na avaliação de Marcondes e outros especialistas, a comunidade científica brasileira tem muito mais condições de participar ativamente e desempenhar um papel mais relevante nessa mudança de paradigma da tecnologia da internet para redes baseadas em software do que quando entrou em cena a web, a versão “moderna” da internet.

Quando a internet começou a se popularizar no Brasil, na década de 1990, sua tecnologia era baseada no desenvolvimento de equipamentos que permitem fazer chaveamento de pacotes de dados, como os switches e roteadores – que exigem grandes investimentos e o envolvimento de muitas pessoas. O desenvolvimento de software demanda menos recursos e menor número de profissionais.

“É muito mais fácil interferir em uma indústria de software que depende, basicamente, de boas ideias trazidas por bons pesquisadores do que na indústria de hardware”, comparou Lopez.

“Temos uma oportunidade de ouro com as redes definidas por software. Ao contrário de 1990, quando não havia pesquisa em hardware nas universidades brasileiras e indústrias preparadas para desenvolver esses equipamentos, hoje temos boa pesquisa na área de software e boa ciência e engenharia de computação”, avaliou.

Para estimular os pesquisadores da área a aproveitar as oportunidades e se preparar para as mudanças que deverão ser apresentadas pela Internet do futuro, a ANSP começou a realizar nos últimos dois anos uma série de ações.

No início de 2012, a ANSP começou a realizar encontros semestrais com os profissionais da área de TI de suas universidades e instituições de pesquisa filiadas.

No último encontro, realizado no fim de outubro e início de novembro no Instituto de Física Teórica da Unesp, em São Paulo, a ANSP realizou um curso de introdução ao OpenFlow, ministrado por Marcondes, e um workshop sobre políticas de roteamento.

“Se existe a perspectiva de que a internet deve caminhar na direção de redes definidas por software – e estamos convencidos de que irá –, é necessário que as universidades e instituições de pesquisa estejam prontas para fazer essa transição a partir de agora”, disse Lopez.
Fonte: Portal Agência Fapesp
5 melhores sites para aprender idiomas online
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Russo, Polonês, Inglês e muitos outros idiomas estão disponíveis no Wikilivros. Basta buscar a língua que você deseja aprender na barra de busca e aproveitar.

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O Bussu oferece aplicativos para celular, comunidades, guias gramaticais, exercícios e muito mais em vários idiomas diferentes.
Fonte: Portal Universia

sábado, 10 de novembro de 2012


5 dicas para quem pensa em fazer um curso a distância

  Agora não é mais necessário sair de casa para ter um diploma. Diversas universidades oferecem cursos online – tanto de graduação como pós-graduação – e abrem, assim, oportunidade para alunos que, por diversos motivos, não podem comparecer fisicamente à sala de aula.

Para alguns, essa possibilidade pode parecer ideal – não há preocupações quanto a chegar atrasado às aulas, temor em ser chamado para falar em público ou o incômodo de sentar em uma cadeira pouco confortável por horas a fio.
Porém, tais pensamentos não passam de mera fantasia! Antes de entrar de cabeça em um curso online, é importante conhecer como funciona esse universo para, então, tomar a decisão de seguir ou não em frente.

Foi pensando em ajudar aqueles que estão na dúvida que o site americano Edudemic ouviu pessoas que completaram seus cursos a distância com êxito. Os estudantes deram 5 dicas que consideram fundamentais para aqueles que desejam obter bom desempenho em cursos online. Confira abaixo e veja se você tem perfil para ser um “aluno online”.

1. A tecnologia não pode ser um problema
Pode parecer óbvio, mas para participar de um curso a distância é fundamental que se tenha acesso à tecnologia exigida. Acesso a computadores com boa conexão à internet pode ser uma demanda diária. Muitos cursos exigem de seus alunos uma produção volumosa, assim, computadores lentos podem atrapalhar o rendimento, causando, até mesmo, atrasos significativos em relação aos prazos estabelecidos pelos professores. Se a tecnologia for um “peso” e causar problemas constantes ela se tornará o foco e prejudicará o desenvolvimento do curso.

2. Saiba que tipo de estudante você é
É importante conhecer-se como estudante, pois dessa forma, torna-se possível incentivar o seu gosto pelo estudo. Conhecer os elementos e recursos que acionam sua curiosidade e vontade de estudar é fator-chave para um bom desempenho, não apenas nos cursos presenciais, mas também – e principalmente – nos cursos a distância. Você pode buscar complementos para o conteúdo que lhe foi passado na plataforma online e assim, ampliar o tema debatido em aula. Dividir suas descobertas e métodos com seus colegas também pode ser interessante. Pense em organizar fóruns de discussão com aqueles que compartilham interesses semelhantes aos seus.

3. Seja disciplinado
Um curso online exige ainda mais disciplina do que cursos presenciais. Você estará sozinho, sem professores ou colegas em volta que, ocasionalmente, possam chamar sua atenção para uma questão importante ou caso você esteja distraído. Você é o único responsável por determinar quais serão as “políticas” de aula e estudo. A primeira dica é estabelecer uma hora específica para a aula. A segunda dica é: não se distraia durante a aula. Não levante pra resolver problemas, atender ao telefone ou a campainha. Deixe claro para todos que, de tal a tal hora, você está ocupado.

4. Você deve ser capaz de trabalhar bem sozinho
Se você tem dificuldades para trabalhar sozinho, talvez um curso a distância não seja a melhor opção. Não haverá pessoas em volta para te motivar, a motivação partirá inteiramente de você e sua pró-atividade. Alguns cursos online, porém, propõem atividades em grupo (grupos online), mas não é sempre que ocorre.

5. Saiba administrar “pausas”, elas também são necessárias.
Saiba administrar o tempo. Estudar em casa pode ser perigoso pois a falta de horários pré estabelecidos pode levar ou a uma produtividade escassa ou a um tempo de trabalho sem limites, que se estende muito além do recomendado. Como já foi dito, estabeleça um horário para a aula e cumpra esse horário, sem esquecer das demais atividades, que são fundamentais e podem te ajudar a aproveitar ainda melhor o curso. Pausas são necessárias!
Fonte: Portal Educomunicação

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Aceitação à EaD no mercado de trabalho é cada vez maior

“A educação a distância deixou de ser tendência e hoje é uma lógica em todos os níveis de ensino”, afirma Tiago Sereza, gerente de integração da Catho Educação, ligada ao site de classificados de currículos e vagas de emprego de mesmo nome, que está entre os de maior audiência da América Latina nesse segmento. Segundo Sereza, o mercado de trabalho brasileiro não faz diferenciação entre candidatos formados por cursos presenciais ou a distância: “O que realmente importa é o conhecimento obtido e a aplicação no dia a dia e não a forma utilizada para obter esse conhecimento”, defende. Fredric Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), assume praticamente o mesmo discurso, mas com ressalvas: “Aos poucos, o clima está melhorando. Não está perfeito, mas muita gente reconhece os valores da educação a distância”, avalia.

Determinação, independência, organização e motivação são alguns dos atributos citados tanto por Litto quanto por Ricardo Holz, presidente da Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância (Abe-Ead), quando se referem aos requisitos para o aluno de EaD ter sucesso em sua formação. Segundo ambos, são características imprescindíveis ao aluno e muito valorizadas no candidato a uma vaga de emprego. Sereza, da Catho, confirma: “Muitas empresas conseguem visualizar no aluno que participa desse modelo de curso (a distância) grandes diferenciais”.

Holz, da Abe-Ead, tem vasta experiência no assunto. Ele terminou o ensino médio por meio do Telecurso 2000, uma parceria da Fundação Roberto Marinho com prefeituras, governos estaduais e entidades privadas, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para complementar, via TV, a educação de quem precisou abandonar os estudos. Depois, Holz fez graduação em gestão pública e MBA na mesma área, ambos os cursos por EaD e na mesma instituição, a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nesse meio tempo, ajudou a fundar a Abe-Ead e abriu uma empresa de consultoria no uso da tecnologia na educação.

“Tenho muito nítido na minha cabeça que eu devo isso à educação, e especialmente à educação a distância”, afirma Holz, que tem viajado por diversos países a fim de conhecer os modelos internacionais de EaD. O modelo brasileiro está bastante avançado, ele garante, mas a principal resistência vem de dentro da academia: “Aqui no Brasil, o MEC (Ministério da Educação) proíbe cursos totalmente online; as avaliações têm que ser presenciais. E eu não estou dizendo que o Brasil está preparado para ter avaliações virtuais, por exemplo, mas essa diferença você percebe nitidamente – lá fora (no exterior), as universidades têm uma liberdade maior sobre como trabalhar o conteúdo. Aqui no Brasil, existe ainda um pouco de receio”.

Segundo o censo do MEC sobre ensino superior realizado em 2010, cerca de 1 milhão de pessoas estudam à distância no Brasil. Enquanto os cursos de graduação presenciais têm um predomínio de matrículas em bacharelados, a maior parte dos alunos de EaD está matriculada em cursos de licenciatura. O percentual de alunos em cursos tecnológicos de EaD também é muito superior à fatia que esse tipo de formação representa no total de cursos presenciais de graduação.

http://www.labjor.unicamp.br/comciencia/img/ead/rep_monique/rep_monique_grafico1.jpg

O Censo EaD.BR – Relatório Analítico da Aprendizagem a Distância no Brasil, realizado anualmente pela Abed, traz dados mais específicos: das matrículas feitas em 2010 em cursos de EaD, 79,5% foram em cursos de graduação, 11,9% em pós-graduação e o restante em educação de jovens e adultos (EJA), em cursos técnicos e outras modalidades de ensino básico. Segundo esse relatório, as instituições privadas predominam no ensino a distância, com 71,9% do total de matrículas. A região Sudeste também concentra a maioria dos alunos matriculados em EaD, com 71% do total.

O estado de São Paulo é o que mais tem cursos em EaD credenciados pelo MEC: são 122 no total, em 268 municípios. Em seguida, vêm os estados de Minas Gerais, com 112 cursos em 189 municípios, e da Bahia, com 105 cursos em 227 municípios. De acordo com a lista de cursos credenciados disponível no site do MEC, as graduações a distância oferecidas pelo maior número de instituições, nesses três estados, são pedagogia e administração, seguidas de perto por gestão de recursos humanos, gestão financeira e ciências contábeis. Holz observa, no entanto, que alguns concursos públicos para o primeiro ciclo do ensino fundamental, como os que são abertos pela prefeitura de São Paulo, por exemplo, não aceitam candidatos com o diploma de pedagogia obtido em curso de EaD. O número de queixas recebidas pela Abe-Ead relacionadas a esse tipo de problema é grande e os concursos públicos que não aceitam diploma de cursos a distância estão sendo questionados na justiça.

http://www.labjor.unicamp.br/comciencia/img/ead/rep_monique/rep_monique_grafico2.jpg

Para o presidente da Abed, qualquer curso pode ser oferecido, senão totalmente, pelo menos parcialmente a distância. Holz endossa: “É óbvio que é importante entender que algumas áreas, em especial a área da saúde, têm obrigatoriedade e necessidade de atividades presenciais que são insubstituíveis. Tomados esses parâmetros, da necessidade presencial de cada profissão, todos os cursos podem ser a distância”. As áreas do mercado com melhor aceitação de profissionais formados em EaD, de acordo com Tiago Sereza, da Catho, são as de tecnologias da informação, administração, marketing e vendas e recursos humanos.

Para Holz, a educação a distância é muito importante para o desenvolvimento do Brasil. “No interior do Brasil é que a gente tem visto o que a educação a distância está fazendo pelo país. Muitos dos alunos de EaD são pessoas que não estariam no ensino superior se não fosse a educação a distância”, afirma. “A expressão ‘à distância’ dá uma conotação ruim, dá a impressão de que você não está presente, e é o oposto. A tecnologia está aproximando as pessoas da educação; estudar à distância não significa não estudar; os cursos não são mais fáceis, eles são mais difíceis”, completa. O resultado é que desde 2007, os graduados por EaD têm conseguido, em média, nota superior aos que cursam ensino presencial no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), segundo o Censo EaD.BR 2011. Holz finaliza: “Hoje em dia, a tecnologia é uma realidade, ela está presente nas nossas vidas e não vai embora. Portanto, ela deve, sim, ser inserida na educação”.

Monique Lopes
Fonte: Portal Com Ciência

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Na era virtual, o estudo em redes sociais 
  Sites de relacionamentos para universitários estimulam o compartilhamento de materiais acadêmicos.

RIO - Se depender de iniciativas como a dos estudantes Rodrigo Salvador e André Simões, da PUC-Rio, gastar várias horas do dia nas redes sociais poderá ser sinônimo de muito aprendizado para os universitários. Os dois lançaram recentemente o Passei Direto, um site de relacionamento gratuito, com fins educativos, voltado para jovens do ensino superior. Em ação semelhante, o site Ebah, criado por formandos da USP em 2006, já reúne mais de dois milhões de alunos trocando materiais de estudo.

Essas redes sociais acadêmicas têm como diferencial ferramentas que permitem o compartilhamento de arquivos, como textos da bibliografia pedida pelos professores, listas de exercícios ou avaliações. Depois de selecionar no site a graduação e as disciplinas cursadas, os alunos encontram outros colegas na mesma situação e, além de ganhar acesso ao material compartilhado, podem trocar mensagens tirando dúvidas e debatendo assuntos de determinada matéria. Apesar de às vezes até contarem com a participação de professores, as plataformas são totalmente gerenciadas pelos alunos e independentes das instituições de ensino.

Por enquanto, o Passei Direto é restrito a alunos da PUC-Rio, da PUC-Minas, da Unigranrio, da FGV-SP, da UFRJ e da Uerj, mas, nos próximos meses, será aberto a outras universidades. Em cerca de dois meses, a rede, que pode funcionar integrada ao Facebook, já atingiu cem mil cadastros.

— Nossa ideia era criar um espaço na internet para centralizar o conhecimento. Muitos estudantes já vinham criando grupos de estudo no Facebook. Mas essa rede não tem as ferramentas necessárias para uma interação acadêmica — explica Rodrigo Salvador, sócio-fundador do Passei Direto.

Estudante do 4º período de Relações Internacionais na PUC, Pedro Bertachini é um dos mais ativos na rede social e foi o primeiro a receber o status de “Rei da PUC” — título concedido aos alunos que mais colaboram com arquivos. Como prêmio, ganhou um livro didático no início do período. Segundo os fundadores, esse tipo de recompensa vai se estender também a outras universidades, como forma de estimular o compartilhamento de conteúdo.

— Comprei totalmente a ideia. Eu já espalhava arquivos para a minha turma pelo Drop Box, que era a plataforma que usávamos institucionalmente; então, foi fácil passar o material para a rede. Compartilhei cerca de 180 arquivos. Mas o grande diferencial do Passei Direto é que podemos ter acesso a conteúdo de outras graduações. Relações Internacionais, por exemplo, tem disciplinas de Direito, Sociologia, História. É muito útil — afirma Bertachini.

As redes sociais para universitários remontam às origens do Facebook. Criado por Mark Zuckerberg em 2004, o site era destinado inicialmente apenas a alunos de Harvard. A ideia do programador, no princípio, era criar um site que conectasse toda a universidade.

Em 2006, em São Paulo, Renato Freitas e Ariel Lambrecht, então estudantes da Escola Politécnica da USP, lançaram o site Ebah, uma rede social para o compartilhamento de arquivos. Cursando o último período da faculdade de Engenharia, eles estavam incomodados por ter que procurar listas de exercícios e outros materiais de estudo em lojas de xerox.

— Imaginávamos que se existisse todo aquele conteúdo disponível on-line seria mais econômico e organizado. Até que resolvemos nos juntar para tocar esse projeto — lembra Freitas.

O Ebah está disponível em praticamente todas as universidades reconhecidas pelo Ministério da Educação. São Paulo é o estado com maior participação no site, tendo 21% dos dois milhões de usuários. Minas Gerais e Rio vêm empatados em segundo lugar, com 10% dos cadastrados, cada um.

Já com um caráter institucional, a Universidade Federal Fluminense (UFF) também tem sua própria rede social, a Conexão UFF. Por ser administrada pela universidade, os professores centralizam o conhecimento. Para um aluno compartilhar determinado conteúdo, o arquivo deve ser aprovado pelo titular da disciplina.

O compartilhamento de textos e trabalhos acadêmicos, no entanto, esbarra nos limites da propriedade intelectual. Para o advogado José Carlos Vaz e Dias, professor de Direito da Propriedade Intelectual da Uerj, a reprodução reiterada de materiais pode ser classificada como violação ao direito autoral, mesmo que virtualmente:

— A reprodução de pequenos trechos de um livro pode ser permitida, em um primeiro momento, mas será violadora se for continuamente compartilhada para dar acesso a um número crescente de pessoas, mesmo que pela internet.

O advogado alerta também que quem usar o material compartilhado pelos colegas como de sua autoria cometerá crime de violação do direito moral do autor. Como sugestão aos desenvolvedores, para evitar problemas, o professor recomenda a realização de campanhas dentro das redes sociais para incentivar o respeito aos direitos autoriais, além de políticas punitivas, como a advertência ou expulsão de usuários que infrigirem a propriedade intelectual.
Fonte: O Globo